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Explosões e situação geopolítica do Líbano

Por Debora Rodrigues Barbosa
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Agosto de 2020 vai ficar marcado para os libaneses, depois que fortes explosões devastaram Beirute, capital do país, deixando centenas de mortes e muitos desaparecidos e feridos. Isso ocorreu após um importante incêndio em um depósito portuário que armazenava grande quantidade de nitrato de amônio. Os produtos químicos, bastante inflamáveis, estavam acondicionados há mais de seis anos e as autoridades não tomaram as medidas adequadas para a manutenção segura desse material tão perigoso.

 

Com a explosão, a comunidade político-econômica internacional mobilizou-se e ajuda humanitária foi prometida por diferentes países do próprio Oriente Médio, aliados do Líbano, assim como grandes adversários, como é o caso de Israel, com o qual o Líbano encontra-se tecnicamente em estado de guerra.  Além disso, grande parte da liderança europeia está empenhada em levantar recursos para ajudar na reconstrução da capital do país.  

 

O problema é que a Europa não oferece dinheiro, sem o retorno geopolítico proposto. Não existe jantar de graça. E o Líbano precisa de muito!

 

A situação financeira do país é preocupante. Há uma dívida pública que beira aos 200% do PIB, uma das mais altas do globo, sem contar a escassez de reservas em dólares e a desvalorização de mais de 80% da moeda local.

 

Ao longo dos últimos anos, o Líbano tem se aproximado de grandes rivais do ocidente, como Síria, República do Irã, Rússia e China. Por isso, os aportes financeiros provavelmente serão tão robustos.

 

Em troca da ajuda financeira ocidental, certamente haverá pressão para o Líbano não se voltar para Leste, o que demonstra o quanto países como Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha não estão prontos para um apoio incondicional.

 

É bom deixar claro que não é a primeira vez que o Líbano tem o grande desafio da reconstrução pela frente. A guerra civil libanesa, que se intensificou no início da segunda metade do século passado, colocou em lados opostos os dois principais grupos religiosos: os cristãos maronitas e os muçulmanos. Somado a esse fato, ainda há a constante hostilidade entre árabes e israelenses, contribuindo para concentrar extremistas no sul do Líbano, em seu intuito de atacar Israel, vizinho territorial. A milícia xiita do Hizbollah ganhou força nesse contexto geopolítico e é apoiada por países como Síria e República do Irã.

 

Ao fim da guerra civil, no fim do século passado, houve apoio das Nações Unidas, para a reconstrução, mas não o suficiente para uma reestruturação econômica sustentável. Com a crise de 2008 e os sucessivos governos desafortunados e associados a um complexo esquema de corrupção, a população tem sofrido com o desemprego e a falta de bens fundamentais básicos para a manutenção dos grupos familiares.

 

Atualmente, a situação é de penúria econômica, mas a pandemia de covid19 tem desmobilizado os grupos contrários do governo, que estavam fazendo manifestação e protestos, motivados pela crise econômica, a ineficácia e a corrupção da classe política.

 

Com as explosões, a população direta ou indiretamente atingida pela destruição sofrerá as sanções provocadas pelo aumento do desemprego, a perda de estrutura econômica e a lenta reconstrução, em um país que não tem dinheiro.