///

Acontece

Últimos acontecimentos mundiais comentados e contextualizados.

Luto no futebol

26/11/2020
Argentina chora a morte de Diego Maradona.

Já é quase unanimidade que 2020 não tem sido um ano fácil. Repleto de lacunas, o período nos lembra o final de 2019, quando a maioria achava que tinha vivido um ano difícil.

Mas, em dezembro do ano passado, em meio a abraços calorosos, fogos de artifícios estourando pelo céu e aquela esperança teimosa de quem nunca desiste, jamais imaginaríamos vivenciar uma pandemia - com tantas vidas ceifadas e perda de liberdade - problemas ambientais irreparáveis, racismo em potencial, crise na política, na segurança, na educação e com a morte de tantos nomes que fizeram história no Brasil e no mundo.

Em meio a tantas dores, a morte do astro Diego Armando Maradona (ex-jogador de futebol argentino) na última quarta-feira, 25/11, soma-se ao cenário de “guerra” que 2020 nos apresentou. Maradona - considerado um dos maiores jogadores da história - teve uma parada cardiorrespiratória e veio a óbito aos 60 anos de idade, na casa onde morava desde que tinha saído do hospital.

Nome que marcou o futebol

Campeão da Copa do Mundo de 1986 pela Argentina, Maradona - o quinto dos oito irmãos nascidos em uma favela de Buenos Aires - driblou a pobreza e se tornou um dos maiores jogadores de futebol do mundo, sendo comparado inclusive com Edson Arantes do Nascimento, o Pelé.

Em uma votação para determinar o maior jogador do século 20, o argentino, que marcou 259 gols em 491 partidas, derrotou o rival brasileiro pela opinião dos eleitores. Na ocasião, a Fifa mudou as regras de votação para que os dois jogadores fossem homenageados.

Carreira com altos e baixos

Ícone de um dos esportes mais amados do mundo, Maradona teve uma trajetória de extremos. Entre algumas polêmicas, relembramos a Copa de 1986, com a famosa frase "mão de Deus", quando marcou um gol com a ajuda da mão contra a Inglaterra nas quartas de final e indignou muitos torcedores.

Na mesma partida, o jogador carimbou seu nome no futebol ao fazer o gol que ficou marcado na história como o "gol do século"; Maradona pegou a bola em seu lado campo e arrancou numa corrida fascinante, driblando vários jogadores antes de marcar o gol.

Mas o craque também decepcionou muita gente após cair no mundo das drogas e vivenciar crises pessoais fora dos campos.

Herói também na Itália

Não foi apenas na Argentina que Maradona era ovacionado. Na Itália, o prodígio viveu o melhor futebol de sua carreira e foi considerado um verdadeiro herói pelos torcedores, enquanto liderava a equipe e a conduzia às primeiras vitórias na liga italiana, em 1987 e 1990, e à Copa Uefa em 1989.

A celebração da festa pela primeira grande conquista do time se estendeu por cinco dias e levou centenas de milhares de pessoas às ruas de Nápoles. À essa época, o ídolo, arrastado pelo vício em cocaína, acabou se envolvendo com a Camorra, a máfia napolitana, quando se viu envolvido em várias polêmicas; houve inclusive uma batalha judicial pelo reconhecimento da paternidade de Diego Maradona Júnior, que mais tarde provou ser mesmo filho do jogador.

Argentina em luto

Para os latino-americanos, a partida do jogador trouxe à tona todas as passagens marcantes que ele viveu; dentre elas, sua amizade com os revolucionários Fidel Castro e Nicolás Maduro, embora não caiam completamente no esquecimento seus problemas com álcool, mulheres, comidas e drogas. Ocorre que, diante de sua morte, a memória daquele controverso Maradona foi deixada de lado, porque se destacam, sobretudo entre os argentinos, o luto, a saudade e o lamento pela perda de um grande ídolo.

A comoção pela morte de Maradona atingiu tão fortemente a Argentina, que o presidente Alberto Fernández decretou luto nacional de três dias.

Ano difícil

Como dissemos, 2020 está cheio de lacunas que não poderão ser preenchidas. A luta contra a Covid-19 está bem perto de ser vencida, conforme avançam as pesquisas científicas que elaboram uma vacina eficiente contra o vírus. No entanto, algumas perdas jamais serão reparadas e o que nos resta é lembrar com saudade dos nomes que fizeram história no mundo e em nosso cotidiano pessoal.