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ECOANSIEDADE

24/05/2024
O peso psicológico da crise climática


A cobertura pela mídia das enchentes no Rio Grande do Sul nos expuseram o tamanho e gravidade da tragédia e o impacto sobre a vida de milhares de pessoas. A tristeza pelas perdas de vidas e bens certamente tomou conta dos que assistiram às imagens que inundaram os meios de comunicação.

Mas além da tristeza, um  sentimento profundo de angústia e medo diante da possibilidade de novas tragédias ambientais tomou conta de muitos: a chamada ecoansiedade, termo ainda em fase de consolidação nos dicionários médicos.

O que é ecoansiedade?
Ecoansiedade, ou ansiedade ecológica, refere-se ao medo persistente de uma catástrofe ambiental. Esse sentimento é desencadeado pela percepção das mudanças climáticas, pela destruição do meio ambiente e pela incerteza quanto ao futuro do planeta. A American Psychological Association (Associação Americana de Psicologia) define ecoansiedade como "o medo crônico da desgraça ambiental". Em 2021 o termo entrou para o dicionário Oxford e no Brasil foi incorporada como uma palavra nova pela Academia Brasileira de Letras, que a definiu como “estado de inquietação e angústia desencadeado pela expectativa de graves consequências das mudanças climáticas e pela percepção de impotência diante dos danos irreversíveis ao meio ambiente”.

Sintomas e impactos
Os sintomas da ecoansiedade variam, mas podem incluir insônia, ataques de pânico, depressão e uma sensação avassaladora de impotência. Para alguns, a ecoansiedade pode se manifestar como uma motivação para a ação, impulsionando a participação em movimentos ecológicos. Para outros, pode resultar em paralisia e afastamento social.

A ecoansiedade é alimentada por várias fontes: desde relatórios científicos alarmantes até eventos climáticos extremos que se tornam cada vez mais frequentes. Incêndios florestais devastadores, tempestades mais intensas e derretimento das calotas polares são notícias que ocupam regularmente as manchetes, aumentando o sentimento de vulnerabilidade.

Embora pessoas de todas as idades possam experimentar ecoansiedade, os jovens parecem ser os mais afetados. Um estudo publicado pela revista Lancet Planetary Health em 2021 revelou que 59% dos jovens de 16 a 25 anos em dez países relataram estar muito ou extremamente preocupados com as mudanças climáticas. Muitos expressam sentimentos de desesperança e frustração ao verem a lenta resposta global aos problemas ambientais.

Como lidar com a ecoansiedade?
Lidar com a ecoansiedade não é tarefa fácil, mas especialistas sugerem algumas estratégias. A educação ambiental pode ajudar, pois entender os problemas e as possíveis soluções pode reduzir o sentimento de impotência. Participar de ações comunitárias e movimentos ambientais também pode proporcionar um sentido de propósito e conexão. Além disso, práticas de autocuidado, como meditação e terapia, são recomendadas para gerenciar o estresse.

A ecoansiedade é um reflexo do tempo em que vivemos, um sinal de que o impacto das mudanças climáticas vai além do físico e econômico, atingindo profundamente a saúde mental da população. Reconhecer e tratar essa forma de ansiedade é fundamental para criar resiliência e mobilizar ações efetivas contra a crise ambiental. Afinal, o bem-estar do planeta e de seus habitantes estão intrinsicamente ligados.

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