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Cidades que estão afundando: um alerta para o futuro urbano

06/06/2025
Problema atinge cidades de vários continentes


Nas últimas décadas, um fenômeno alarmante tem preocupado cientistas, governos e a população mundial: diversas cidades estão literalmente afundando. Esse processo, conhecido como subsistência do solo, ocorre quando o nível da terra diminui em relação ao nível do mar ou ao entorno, provocando sérios riscos à infraestrutura urbana e à vida das pessoas.

Um estudo da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Singapura, mapeou 48 cidades costeiras que estão afundando em níveis alarmantes. 

Entre os casos mais emblemáticos está Jacarta, capital da Indonésia, considerada a cidade que mais afunda no mundo. Parte de Jacarta afunda até 25 centímetros por ano, tornando insustentável sua permanência na localização atual. De acordo com estimativas, uma parte substancial da cidade poderá estar completamente submersa até 2050, caso não sejam implementadas medidas drásticas.

Diante desse cenário, o governo indonésio anunciou a transferência da capital para uma nova cidade chamada Nusantara, em outra ilha.

Outro exemplo é Cidade do México, construída sobre um antigo lago. Devido à intensa retirada de água subterrânea, algumas regiões da cidade afundaram mais de 10 metros no último século. O mesmo problema afeta metrópoles como Bangkok, na Tailândia, Ho Chi Minh, no Vietnã, Lagos, na Nigéria, Nova Orleans, nos Estados Unidos e várias outras.

No Brasil, Santos, em São Paulo, apresenta sinais de subsidência, especialmente em áreas portuárias e de expansão urbana, embora em menor escala do que nas cidades asiáticas.

As causas do afundamento são múltiplas, mas destacam-se principalmente:
Extração excessiva de água subterrânea: Quando os aquíferos são sobrecarregados, o solo perde sustentação, gerando o afundamento. Esse é o principal fator em cidades como Cidade do México e Jacarta.

Compactação do solo: Áreas construídas sobre terrenos instáveis, como pântanos, lagos secos ou áreas costeiras, estão mais suscetíveis a ceder com o peso das construções.

Mudanças climáticas: O aumento do nível dos oceanos devido ao derretimento de geleiras agrava o problema em cidades costeiras, onde o solo afunda e o mar sobe, acelerando enchentes e inundações.

Atividades de mineração e exploração de petróleo e gás: A retirada de materiais do subsolo pode gerar desequilíbrios, levando ao rebaixamento da superfície.

As consequências são graves e impactam diretamente a qualidade de vida da população. Entre os principais problemas estão inundações constantes e enchentes crônicas, danos a edificações, ruas, pontes e sistemas de transporte, perda de áreas habitáveis, forçando o deslocamento de milhares de pessoas, aumento dos custos com obras de contenção, reparo e infraestrutura e risco de crises sanitárias, devido ao colapso de sistemas de esgoto e abastecimento.

Os governos dessas cidades buscam soluções técnicas e políticas capazes de mitigar ou até evitar o avanço da subsidência. Entre as principais medidas destacam-se:
Gestão eficiente dos recursos hídricos, reduzindo ou proibindo a extração de água subterrânea, estimulando o uso de fontes alternativas, como água de rios, lagos e sistemas de dessalinização.

Criação de infraestruturas verdes, com a implantação de áreas permeáveis, parques, jardins de chuva e reservatórios que ajudam na recarga natural dos aquíferos.

Melhor planejamento urbano, evitando a ocupação de áreas de risco, limitando o crescimento desordenado e investindo em estudos geotécnicos antes de novas construções.

Obras de engenharia, com a construção de diques, barreiras contra o avanço do mar, estações de bombeamento e sistemas de drenagem eficientes.

Monitoramento constante, com a utilização de tecnologias como satélites, sensores e radares para acompanhar os movimentos do solo e agir preventivamente.

Educação e conscientização, envolvendo a população na proteção dos recursos naturais e na cobrança de ações dos governos.

O afundamento das cidades é um problema complexo, que reflete a interação desordenada entre desenvolvimento urbano e natureza. Ignorar os sinais pode gerar desastres socioambientais, econômicos e humanitários irreversíveis. Entretanto, com planejamento, investimentos em tecnologia e políticas públicas bem estruturadas, é possível enfrentar esse desafio e construir cidades mais resilientes e sustentáveis para as próximas gerações.

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