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Protestos em Hong Kong

Por Debora Rodrigues Barbosa
Fortes manifestações em prol das liberdades políticas e econômicas marcaram o ano de 2019.
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Fortes manifestações em prol das liberdades políticas e econômicas marcaram o ano de 2019 em Hong Kong. Milhares de manifestantes foram às ruas protestar contra um projeto de lei do governo que, se aprovado, permitiria a extradição de cidadãos de Hong Kong para serem julgados na China.

Na verdade, o que está em discussão é a autonomia política e judicial de Hong Kong. Cedida aos ingleses, por um prazo de 99 anos,  em 1841, após a Guerra do Ópio, Hong Kong  foi paulatinamente evoluindo, sob uma economia de mercado, como as demais colônias do império britânico.

Na década de oitenta do século XX, China e Inglaterra iniciaram as negociações para a devolução da soberania sobre Hong Kong à China, o que foi efetivado em 1997.

Como nesse período Hong Kong havia desenvolvido uma economia capitalista, na sua devolução a um país com  economia socialista de mercado foram  necessárias determinadas concessões.

A China formulou a agenda política baseada no conceito "um país, dois sistemas", conservando a independência econômica de Hong Kong. A Lei que permitiu esse sistema impõe que Hong Kong mantenha o seu próprio sistema legal e direitos como liberdades de reunião e expressão, que são restritos na China Continental, por 50 anos, terminando formalmente em 2047.

Atualmente, Hong Kong possui a economia com menos restrições do mundo e é basicamente livre de taxas. Tem um centro bancário importante e uma presença geopolítica importante, pelo número de consulados presentes em seu território. Sua economia é fortemente orientada para o mercado externo e seu centro é sede de inúmeras transnacionais que atuam na Ásia.

O problema é que a China Continental deseja estreitar suas relações de poder sobre Hong Kong e, por outro lado, a população deseja manter a sua autonomia e liberdade política e econômica.

Mesmo com pressões chinesas, até 2014 era fato pacífico que o chefe do Executivo que administrasse Hong Kong fosse escolhido por sufrágio universal, após a nomeação de uma comissão amplamente representativa no território. Mas, ao longo dos anos, esse comitê de escolha eleitoral tem sido cada vez mais controlado por Pequim.

Em 2014, o Congresso da China ordenou que o chefe do Executivo de Hong Kong deveria ser escolhido por voto popular, mas que os candidatos, para assumir o cargo, em definitivo, deveriam ser endossados por um comitê dominado por votos simpáticos a Pequim, desagradando a população local.  Milhares de estudantes e manifestantes em geral foram às ruas demonstrar repúdio à interferência de Pequim, que reprimiu bastante a movimentação e acabou por reduzir os efeitos das manifestações.

Os manifestantes voltaram às ruas contra a Lei das Extradições, alegando que a aprovação dessa lei significaria maior influência da China no campo jurídico de Hong Kong e, em decorrência, uma deterioração na autonomia do território.

A executiva-chefe de Hong Kong, Carrie Lam, garante que o projeto não será arquivado, pois o considera relevante para sua agenda de governo. Mas o pano de fundo de tudo é o descontentamento com a forte desigualdade econômica. Um mercado de trabalho muito competitivo, o alto custo de habitação e a dificuldade de mobilidade social fazem de Hong Hong uma das sociedades mais desiguais do mundo entre os países desenvolvidos.

Os protestos afetaram significativamente o ambiente de negócios em Hong Kong, porque boa parte das receitas das empresas que lá atuam vem do mercado chinês. E a China vem exercendo grande pressão sobre as empresas  para quem interfiram nos protestos.

Em novembro, Hong Kong realizará eleições para o Conselho Distrital. Os resultados serão um teste para o governo de Carrie Lam.

Vamos aguardar!