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África e Pandemia do COVID19: uma exceção?

Por Debora Rodrigues Barbosa
Continente apresentou um número de casos relativamente baixo.
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Os Coronavírus representam uma grande família viral que causa infecções respiratórias de gravidade leve a moderada (como resfriado e pneumonia) em seres humanos e em animais, podendo, em alguns casos, evoluir para síndrome respiratória aguda grave.

 

A COVID-19, doença associada ao vírus, foi considerada uma pandemia pela Organização Mundial da Saúde, em março de 2020, porque teve o número de casos de infectados aumentado e sua disseminação foi considerada global.

 

Os países africanos, por conta de sua situação econômica, não fazem grandes investimentos em promoção de saúde e manutenção de modernos equipamentos médico-hospitalares. Portanto, faltam profissionais de saúde, equipamentos, unidades de terapia intensiva e respiradores. Especialistas também apontam que os sistemas de saúde africanos, em sua grande maioria, não conseguem fazer testes suficientes para detectar mais casos de covid-19, o que pode comprometer a certeza dos dados científicos.

 

Mas a África apresentou um número de casos relativamente baixo, embora especialistas, e até mesmo a OMS previssem uma catástrofe, dadas as condições socioeconômicas do continente e o fato de ser o segundo continente mais populoso, com cerca de 1,2 bilhão de habitantes!

 

Até o final de maio, os países que lideravam os casos de morte e contaminação eram África do Sul, Egito e a Argélia, potências regionais e que possuem maiores enlaces econômicos com os países mais desenvolvidos, sobretudo aqueles localizados na Europa. Na verdade, os maiores disseminadores do vírus COVID-19 eram os europeus e, por isso, inúmeros países fecharam suas fronteiras e isolaram pessoas oriundas da Europa, em quarentena.

 

É bom lembrar-se de que o continente já conta com diferentes adversidades associadas a doenças, como os quadros catastróficos de subnutrição, os jovens vulneráveis pelo HIV e a manutenção do número de mortes pela malária e o cólera. Por sua vez, o ebola foi responsável pela morte de milhares de africanos, exigindo suporte psicológico, atividades de promoção de saúde, vigilância e rastreamento de pessoas contaminadas e mortes. Foi uma luta dura!

 

Outra situação importante é quanto à organização do trabalho no continente, uma vez que grande parte da população tem no trabalho informal a base da sustentação econômica da unidade familiar e, portanto, como enfrentar esta pandemia nas mínimas restrições recomendadas, já que grande parte da população não consegue seguir a rotina de confinamento?

 

Alguns especialistas lembram que os sistemas de saúde africanos não têm recursos para fazer testes suficientes, mas há quem assegure que outros fatores influenciam esses baixos índices.

 

Depois de passar por epidemias como tuberculose, malária, cólera, HIV e ebola, o continente tem uma certa experiência em contenção rápida das doenças.  Isso significa que alguns países africanos já tinham infraestrutura de detecção nos aeroportos. O ebola ensinou a África a grande importância de se identificar os casos de doenças graves rapidamente, tratar os pacientes contaminados e isolar comunidades. Deixar de apertar mãos e dar abraços, bem como manter uma quarentena não é novidade para a população local.

 

É bom destacar, também, que a globalização não atingiu a todos os lugares, na África. A questão da mobilidade, por exemplo, ainda serve de obstáculo para a disseminação da doença.

 

Um outro fator seria a média de idade mais baixa da população, embora a isso pudesse se opor ao alto grau de desnutrição encontrado em crianças e jovens africanos.

 

Enfim, ainda é cedo para se tirar conclusões. É preciso acompanhar a evolução da pandemia para que se possa afirmar que a África é uma exceção.