Jumentos em risco de extinção no Brasil

Você certamente já viu em filmes ou fotos que retratem o Nordeste de anos atrás a figura de um jumento. Um animal mamífero, chamado cientificamente de Equus asinus, da família dos equídeos, a mesma dos cavalos e das mulas, ele é conhecido por sua resistência, força e capacidade de suportar longas jornadas.
No Brasil, os jumentos sempre tiveram grande importância histórica e social.
Durante muitos anos, eles foram fundamentais para o desenvolvimento do interior do país, sendo usados principalmente no transporte de cargas, como água, alimentos, lenha e materiais de trabalho ou como meio de transporte nas áreas rurais. Resistentes, movem-se com facilidade e também eram usados na agricultura, puxando arado.
No Nordeste brasileiro, o jumento se tornou um símbolo cultural e econômico.
Com o avanço da tecnologia e a chegada de veículos motorizados, o uso dos jumentos foi diminuindo ao longo do tempo. Foram substituídos pelas motos como meios de transporte e muitos desses animais foram abandonados nas estradas e zonas rurais e esse abandono contribuiu para a diminuição do cuidado e da proteção da espécie.
Nos últimos anos, surgiu um novo e grave problema: a caça e o abate dos jumentos para a venda de suas peles. Isto porque a China tem aumentado a compra de peles de jumentos para a produção de um produto chamado ejiao, utilizado na medicina tradicional chinesa e feito a partir do colágeno retirado da pele do animal.
Milhares de animais são capturados e abatidos de forma cruel, sem qualquer fiscalização e muitas vezes os animais sofrem maus-tratos e vivem em condições precárias.
Essa exploração excessiva tem causado uma queda drástica na população de jumentos em território brasileiro. Especialistas alertam que, se esse ritmo continuar, o jumento pode entrar em extinção em poucas décadas.
A extinção de um animal causa desequilíbrios ambientais e sociais e, além disso, a perda do jumento representa o desaparecimento de um importante símbolo cultural do Brasil.
Mas surgiu uma esperança com um trabalho desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Paraná: um projeto chamado “Colágeno de Jumento por Fermentação de Precisão”, que usa técnicas biotecnológicas para produzir proteínas de colágeno em laboratório, por fermentação com microrganismos, sem precisar matar os animais para obter a pele.
A ideia é criar uma alternativa sustentável e ética ao colágeno obtido da pele de jumentos, que hoje é usado na produção do ejiao e responsável pela alta demanda por peles de jumentos. A expectativa é que, com essa tecnologia, seja viável a produção de um tipo de colágeno com as mesmas propriedades desejadas pelo mercado, mas sem causar sofrimento nem reduzir a população de jumentos.
Enquanto a pesquisa não é finalizada e colocada à disposição do mercado, é preciso proteger essa espécie é uma responsabilidade coletiva. É necessário criar leis mais rígidas, fiscalizar o comércio de peles e conscientizar a população sobre a importância do jumento.
Preservar os jumentos é preservar a história, a cultura e o equilíbrio da natureza no Brasil.